Mégara
Desde nova que sabe que nasceu para o amor (ou pelo menos para as manifestações físicas do mesmo). Amar é, para ela, tão natural como chegar ao fim do mês com €1,20 na conta. Deixa-se apaixonar facilmente, basta um olhar, um piscar de olhos ou um composite, num desfile de modelos, para despertar aquele empolgante sentimento a que chama de amor (tensão sexual?). Desabafos como «Opá, amo-o mesmo de verdade» dois dias depois de (ainda nem) o conhecer são comuns nesta fase. Geralmente tem queda para os mais totós (os chamados “opá-tão-queridos”), aqueles com um ar completamente desorientado, tímido e reservado (tão inocentes!). Enfim, uma altura acima de 1,85m, óculos e aparelho nos dentes são apenas alguns dos critérios que ela aprecia imenso (mas por favor, tudo ao mesmo tempo não!). O romance (atropelamento de ideias amorosas na minha cabeça) começa com troca de olhares (para os quais imagino correspondência), continua numa passagem sedutora à frente dele (onde os cabelos voam para cima da minha cara, colam-se às espessas camadas de lip gloss que tinha acabado de pôr, e entretanto são cuspidos de forma sexy da boca) e terminam numa tentativa de estabelecer contacto (que pode muito bem significar um puff rebentado e milhares de bolas de esferovite a voar em todas as direcções). De qualquer forma, Mégara nunca desiste e na cabeça dela já se imagina num encontro romântico (no Opel Corsa), altura em que fará dele um homem. A percentagem de sucesso (ou seja o número de totós com quem já andou) é favorável, no entanto há sempre aqueles casos que nunca conseguiu meter no Opel, são esses que mais a marcam e que nunca esquece (sim, porque os outros consideram-se missões cumpridas e todas as provas são reunidas numa caixa, guardada lá em cima do roupeiro). De momento, debate-se com um caso de um rapaz que ama (persegue) há imenso tempo mas que faz parte dos que ela nunca conseguiu enfiar no tal automóvel (“Mas porquê?! Ía jurar que tínhamos sido feitos um para o outro!”) e outro caso que ela insiste em dizer que realmente não foi nada senão meramente físico (“… mas ele até era giro e fazia o meu tipo e tinha 1,85m e era inteligente…”), que se encontra no lado oposto do globo enrolado com uma norueguesa. Claro que depois há aquele rapaz do centro comercial, o rapaz que mete som nas festas, o rapaz do… mas quê? Ainda não tinha dito que Mégara é uma adepta fervorosa da poliandria?...
*(… to be continued)
Esta história...
ResponderEliminarTão engraçada, sobretudo naquela parte dos tótós... Adorei e quero mais...