segunda-feira, 4 de maio de 2009

Historial Romântico (=o gajo inútil e o gajo útil que entraram na nossa vida)

Olímpia

 

Enquanto adolescente, Olímpia sentia-se feia, gorda e desajeitada (como todas nós). Hoje, do alto da maturidade adquirida (ou então não), é apenas mais uma das muitas mulheres conformadas com a sua figura, e no caso dela, com a sua natureza propícia (muito propícia mesmo) ao azar. Ela sempre foi do género “desastre”: aquela que tropeça nas escadas (frequentemente), lambuza-se com tudo o que põe na boca (o que deixa sempre manchas bem visíveis no vestuário) e vastas vezes se magoa com qualquer coisa (paredes, chão ou saltos-agulha, por exemplo). Para além do mau humor e da revolta contra o mundo (de adolescente), Olímpia ainda tinha de lidar com a facilidade com que se tornava transparente ao olhar de qualquer homem. (Quando isto acontece, as mulheres tendem a entregar-se ao primeiro anormal com falinhas mansas que lhes sorri). Não foi diferente com ela. Seguiram-se algumas relações fugazes e condenadas ao falhanço desde o primeiro instante e com elas, o seu pior erro: ver a paixão onde ela não existia, criando para si, mentiras e ilusões para diminuir de algum modo o sentimento latejante de solidão que morava no seu peito (típico). Quando já se conformara com o seu triste destino (qualquer dia ser velha, só e infeliz), surge o seu primeiro amor: um sujeitinho estranho que nem fazia o seu género, irritava-a e inquietava-a (dava-lhe vontade de o esbofetear). Até que, certo dia, essa raiva transformou-se numa paixão violenta, rude, animalesca, que começou com insultos e gritos e terminou em beijos escaldantes e roupa rasgada pelo chão (também queremos). Para ela, as roupas rasgadas deram lugar a um amor intenso e avassalador, para ele resumiram-se numa paixoneta com muito sexo à mistura.  Ele decidiu-se pela terceira opção (arranjar uma namorada entre as amigas dela) e ela por um longo período de coração partido. Com o passar do tempo, esse mesmo coração continuava engessado pela dor. Aos poucos recuperou e cicratizou ao ocupar totalmente a sua mente, de modo a que nunca tivesse tempo para parar, pensar e chorar, prometendo a si mesma não mais sofrer (força miúda!). Certo dia, pouco tempo volvido, apareceu sem avisar um homem que despertou nela algo difícil de definir: fê-la sorrir...não só com os lábios, mas com o corpo todo. Com ele chegou um primeiro beijo ternurento num dia frio e chuvoso  (dentro dela um sol radioso) e com esse beijo veio uma certeza que nunca tinha sentido antes: era ELE! (suspiro profundo). Três anos volvidos Olímpia sente-se uma mulher feliz e apaixonada, apesar de existirem sempre cedências que têem de ser feitas e vontades a conter para manter uma relação sã e estável.

 

Por vezes, ainda se sente aquela míuda insegura e desajeitada de outros tempos, esforçando-se para não tropeçar nas escadas e na vida.  A única certeza é de que é feliz enquanto pode (profundo e inspirador).

 

*(Os restantes resultados encontrados nesta pesquisa não são dignos de nota)

Sem comentários:

Enviar um comentário